dijous, 7 de maig del 2026

Festival de Fado, Barcelona 2026

 Ja tenim les entrades per anar al Festival de Fado d'enguany a Barcelona. Al Teatre Poliorama a la Rambla  el dia 18 tindrem la sort de veure i escoltar a dues veus que trepitgen fort en el panorama fadista dels darrers anys, la Sara Correia i la Beatriz Felício.


El dia abans, el 17, a la llibreria Bayron del carrer Casanova, 32 podrem gaudir de la companyia d'un dels millors músics, productor, autor i acompanyant amb la viola de fado de tants i tants músics, fill del també músic José Clemente a qui he tingut la sort de poder escoltar diverses vegades.  



Aquí us deixo un tast!!!









A voz

Diogo Clemente / Armando Machado *fado licas* 
Repertório de Carminho 

Às vezes há uma voz que se levanta
Mais alta do que o mundo e do que nós
E faz chover-me os olhos, quando canta
Num pranto que emudece a minha voz 

Afunda-me os sentidos e o tempo
Ao ponto mais distante do que sou
E abraça aquele lugar que tão cinzento
Se esconde sobre a névoa que ficou

E grita-me no peito quando sente
Chegar a face triste de um amor
Mais alta do que o mundo e do que a gente
A voz já não é voz... chama-se dor
Sara Correia  


Fado português

José Régio / Alain Oulman
Repertório de Amália

O fado nasceu um dia
Quando o vento mal bulia

E o céu, o mar prolongava
Na amurada dum veleiro
No peito dum marinheiro

Que estando triste cantava

Ai que lindeza tamanha 
Meu chão, meu monte, meu vale
De folhas, flores, frutas de oiro
Vê se vês terras de Espanha
Areias de Portugal
Olhar ceguinho de choro

Na boca dum marinheiro 
Do frágil barco veleiro
Morrendo a canção magoada
Diz o pungir dos desejos 
Do lábio a queimar de beijos
Que beija o ar e mais nada

Mãe adeus, adeus Maria 
Guarda bem no teu sentido
Que aqui te faço uma jura
Que, ou te levo á sacristia 
Ou foi Deus que foi servido
Dar-me no mar, sepultura

Ora eis que embora outro dia
Quando o vento nem bulia 
E o céu o mar prolongava
Á proa doutro veleiro
Velava outro marinheiro 
Que estando triste cantava

 Beatriz Felício




Já me deixou

Artur Ribeiro / Maximiano de Sousa
Repertório de Max

A saudade andou comigo
E através do som da minha voz
Nos seus fados mais antigos
Fez mil versos a falar de nós

Troçou de mim à vontade
Sem ouvir sequer, os meus lamentos
E por capricho ou maldade
Correu comigo a cidade
Até há poucos momentos

Já me deixou... 
Foi-se logo embora
A saudade, a quem chamei maldita
Já nos meus olhos não chora
Já nos meus sonhos não grita
Já me deixou... 
Foi-se logo embora
Minha tristeza chegou ao fim
Já me deixou mesmo agora
Saiu pela porta fora
Ao ver-te voltar p’ra mim

Nem sempre a saudade é triste
Nem sempre a saudade é pranto e dor
Se em paga a saudade existe
A saudade não dói tanto, amor

Mas enquanto tu não vinhas
Foi tão grande o sofrimento meu
Pois não sabia que tinhas
Em paga às saudades minhas
Mais saudades do que eu

Lletres extretes del blog fadosdofado

dissabte, 7 de març del 2026

Matilde Cid




Fa uns anys l’amic Vasco -a qui tinc tantes coses a agrair- em va dir a la Mesa de Frades –“Olha, esta canta bem- I vaig quedar atrapat per la seva manera d’interpretar i pensaba i pensó “Quina quantitat de bons i bones fadistes que tenim aquesta fornada” 

Em sembla que la Matilde Cid arriba a uns nivells d’introspecció que els sentiments surten a cor que vols d’una manera natural i que no está a l’abast de tothom.

 Aquí el Fado Mayer d’Armandinho, amb un poema de Maria do Rosário Pedreira. Els músics Bruno Chaveiro, Pedro Saltão i Francisco Gaspar. Un cóctel extraodinari.


Quanto te apressas e me confessas, que está na hora
Eu não te digo, que é um castigo ver-te ir embora
Finjo que a dôr, que sei de cor, pouco me importa
Mas mal me deixas, sinto que fechas p'ra sempre a porta

Vem, não te atrases
O que fazes sem mim a esta hora?
Volta para os meus braços, eu já esperei demais
Vem não te atrases
Eu perdoo-te a demora
Se morares nos meus abraços e nunca mais me deixares

Quando tu partes, faltam-me as artes para te prender
Mas se não estás, não sou capaz de adormecer
Acendo estrelas, pelas janelas da casa fria
Mas se não chegas, sinto-me ás cegas até ser dia

diumenge, 30 de novembre del 2025

Sandra Correia -Concertos-

2012 Sandra Correia na Feira Internacional de Artesanato do Estoril
Aquest novembre es compleixen quinze anys que conec la Sandra Correia. D'ençà d'aquella nit a Barcelona on la vaig veure i sentir cantar per primer cop,  ha estat per mi una referència en aquest món del Fado al qual feia pocs anys estava coneixent amb avidesa. He publicat diverses entrades en aquest blog, l'he vist cantar a Porto i a Lisboa i no em canso de repetir que per a mi va ser la persona que em va acabar d'obrir la porta a aquesta música tan especial. En el seu cantinho de Youtube podem trobar ara els concerts que ha fet en diversos escenaris i he resolt que en aquest meu raconet de fado hi havien de ser-hi. Així que començarem per aquest del 2012 al  marc de la Fira Internacional d'Artesanat d'Estoril.

Gaudiu del Concert!

dimecres, 23 de juliol del 2025

Chegam-me as saudades

Molt sovint m’arriben les saudades.

Aquest fado Penedo que cantava el meu admirat José Manuel Barreto, amb lletra de Diogo Clemente i Mario Laguinha, és la canço que em ve al cap quan aquesta saudade, a vegades dolça i a voltes impertinent -i algun cop dolorosa, magoada- i no me la puc treure del cap.

 La veu d'en Barreto em va atrapar el primer cop que el vaig sentir cantar. És una veu que acarona. No recordo el lloc (potser va ser al Senhor Fado a Alcochete) però li vaig sentir cantar el fado Santa Luzia amb aquella dicció perfecta, com diuen els entesos: dividint bé els versos, i des d’aquell dia es va convertir en un dels fadistes que admiro. Quan ens vèiem sempre li deia el mateix; Cantas como ninguém o Santa Luzia.

 Quan ens va deixar aquest sentiment se’m va fer més evident. Com diuen els versos, jo també canto lliurement aquestes saudades, i, si em sents, saps bé que jo sóc així, de temps en temps m’arriben les saudades.

 Gràcies per tant amic Barreto!


Chegam-me as saudades

Diogo Clemente / Mário Laginha *fado penedo*
Repertorio de José Manuel Barreto

De tempo a tempo chegam-me as saudades
Mal feito fora se hoje as não tivesse
Desertam-me de angústias e ansiedades
Se assim não fosse amor, antes morresse

Chegaste-me outra vez, como o Agosto
Que trago ao longe, ao fim, p’ra lá da dor
Por trás de tantos anos do meu rosto
A vida emudeceu o meu amor

E porque te não tenho ao pé de mim
Eu canto livremente estas verdades
Se me ouves, sabes bem que sou assim
De tempo a tempo chegam-me as saudades



Lletra del blog fados do fado 
video del canal de Youtube de José Manuel Barreto

diumenge, 25 de maig del 2025

divendres, 18 d’abril del 2025

Fado Proença

 


Aquela névoa

Tiago Torres da Silva / Júlio Proença *fado proença*
Repertório de António Pinto Basto

Quem sabe se já morri
Ou se fiquei preso a ti
Numa praia, ainda à espera
Que, do denso nevoeiro
Possa inventar-se, em Janeiro
Um dia de Primavera

A tua saudade levo-a
Agarrada àquela névoa 
Que nos deixa ficar sós
Eu, um rio à minha sorte
A correr cego e sem norte 
Sem saber se tenho foz

E tu, que és só um adeus
Faz dos meus olhos os teus 
Do meu, o teu coração
E diz-me, que eu não me lembro
Se posso ver em Dezembro 
Um dia quente de Verão
Sempre obrigado a FadoTV i a José Fernandes Castro

divendres, 7 de març del 2025

Último poema

Manuel Mendes, l'autor de la música, cap als anys 80 del segle passat cantava e la Taverna D'El Rey al barri d'Alfama. Una nit el poeta Vasco de Lima Couto, que frecuentava el local, va escriure en un tovalló uns versos, i el dia següen va morir.
Aquells versos que havien quedat sense títol va ser musicat per Manuel Mendes i li va donar aquest títol.

ÚLTIMO POEMA



Último poema

Vasco Lima Couto / Manuel Mendes
Repertório de Ricardo Ribeiro 

Então até amanhã meu dia triste
Na taverna da noite do meu fado
Onde canto o amor que não existe
Neste meu amanhã abandonado

Grito dentro de mim a noite e o dia
Nesta hora do sonho mais profundo
Que regressa na voz da despedida
Com que te vejo por estar no mundo

Nas palavras amadas que perdi
O ontem que tu foste já me foge
Então até amanhã, disseste, e eu vi
Que o amanhã não chega ao ontem de hoje

dijous, 19 de desembre del 2024

Bones Festes de Nadal per tothom

Sempre estan aqui al meu costat les Saudades de Lisboa i la seva gent, només que en aquestes dates encara es fan més presents.
Amb aquest video desitjo a tots els que passeu per aqui, que el nou any us porti el millor!!
Una abraçada gran!

dimecres, 11 de desembre del 2024

Chamar Fado à solidão

No volia acabar aquest 2024 sense deixar al meu cantinho de fado aquesta perla. La Linda Leonardo, Tiago Torres da Silva, Marino de Freitas i el creador d'aquests "pequenos nadas" el bon amic Américo.

Chamar fado à solidão
Tiago Torres da Silva / Marino de Freitas
Repertório de Linda Leonardo

Era uma canção que eu mal sabia
Era um coração que eu descobria
A soluçar... sob o olhar
De quem sem saber em conhecia

Esse coração, ai quem mo dera
Por dentro do meu coração à espera
Que a minha voz... desate os nós
Que unem o outono á primavera

Mas eu não queria ter cantado
Sem ter acolhido o fado
Dentro do meu triste coração;
Porém, se alguma vez o fiz
Foi por estar tão infeliz
Que fui chamar fado à solidão

Era uma mulher que em mim nascia
Quando uma guitarra me dizia
Que em tom menor... canta melhor
Quem souber da noite fazer dia

Foi um novo amor que aqui me trouxe
Eu digo que era amor, talvez não fosse
Só porque o fado... envergonhado
Disse que me amava e afastou-se
Agraïments al bloc fadosdofado I al canal de Youtube de l'amic Américo

diumenge, 7 de juliol del 2024

Ana Laíns

 Després de tornar a veure i escoltar aquest video d'Ana Laíns, no em puc estar de deixar-lo aqui al blog i compartir-lo amb tots aquells que estimen, com jo, la cultura portuguesa, la seva música, la seva gent...

Del concert de Celebração do Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas de juny de 2022.



 
 Amb el desig que l'Ana es recuperi ben aviat. 

Beijinhos, Ana

diumenge, 5 de maig del 2024

Era já tarde

Era ja tard

Era ja tard
quan vaig conèixer el Fado
i sense ostentació
em va voler parlar de Saudade
però, veritablement
per recordar-me de tu
del gran amor que vaig perdre
era tard, molt tard.

Vaig demanar al Fado
que em donés un altre camí
que es quedes ell amb la Saudade
que jo volia quedar-me sola
ell em respongué
que aquell prec era sobrer
perque el Fado i la Saudade
anaven de bracet
                                                                
                                                                  Era ja tard
                                                                 quan vaig deixar el Fado
                                                                  i vaig ser covarda
                                                                  vaig tenir por de la Saudade
                                                                   amb ansietat
                                                                   jo encara la vaig buscar
                                                                   i quan la saudade vaig trobar
                                                                   era tard, molt tard.
                                                                   
     Una interpretació sublim.                    


Era já tarde

Aníbal Nazaré / Maximiano de Sousa
Repertório de Max

Era já tarde 
Quando o fado conheci
E sem alarde
Quis falar-me da saudade
Mas na verdade
Para me lembrar de ti
Do grande amor que perdi
Era tarde, muito tarde

Pedi ao fado
Que me desse outro caminho
Ficasse ele com a saudade
Que eu queria ficar sózinho
Ele respondeu
Que o pedido era escusado
Por que o fado e a saudade
Andavam de braço dado

Era já tarde 
Quando o fado abandonei
E fui cobarde
Tive medo da saudade
Com ansiedade
Eu ainda a procurei
Quando a saudade encontrei
Era tarde, muito tarde


Video del canal @MrWizard1972 
Lletra del blog Fados do Fado 
Traducció pròpia

dimecres, 21 de febrer del 2024

Vou lá ter

Un fado dels antics que he redescobert fa poc i m'abelleig  portar-lo ara  aqui al blog.

Vou lá ter

Letra e música de Mário Moniz Pereira
Repertório de Lucília do Carmo

Partiste, tudo na vida tem fim
Sempre disse cá para mim 
Que isto iria acontecer
Partiste, mas a culpa não foi minha
Foi da vida que caminha 
Muito depressa a correr
Partiste, foi-se o amor, veio a amizade
Esta nova realidade 
Não quiseste compreender

Agora, prefiro ser a ternura
Que estando só é mais pura
Que estando triste não chora
Sem ti, é mais fácil eu saber
Que a vida está por viver 
E que ainda não morri

Partiste p’ra longe da minha vista
Pode ser que assim resista 
À tentação de te ver
Partiste, continua sempre em frente
E não voltes de repente 
Que te vais arrepender
Partiste, por favor não voltes mais
Mas não digas p’ra onde vais
Se não queres que eu vá lá ter

Amb Aldina Duarte al Sr. Vinho Obrigado al blog Fados do Fado Obrigado al canal de youtube casadofado

dijous, 14 de setembre del 2023

Cap a Lisboa

 


S'acosta el dia.

Matinarem força per agafar el vol que ens durà a "casa nostra" 

Perque a Lisboa, i de fet a tot Portugal, ens sentim com a casa. I aquí a Barcelona escalfem motors escoltant fado i recordant moments i llocs.

M'agrada escoltar el fado vadio, el fado amador, popular que canta la gent que  no s'hi dedica professionalment, però si de cor i ànima.


Aquí escoltarem a José António da Silva Garcia cantant un fado de Georgino de Sousa  O CASTELO  a la Tasca do Jaime ja fa alguns anys.





O CASTELO
José António (Fado Georgino)


O Castelo, que gracinha
Tem por Alfama vizinha
São Vicente por companheiro
Tem a rua de São Tomé
Mais abaixo, tem a Sé
E o Largo do Limoeiro

Tem também Santa Luzia
Cheia de cor e alegria
Que dele está enamorada
Tem a Rua do Barão
E a Calçada do Cascão
Ao pé da Feira da Ladra

Para a Baixa está virado
Vê-se de lá o Chiado
E o Amoreiras também
Vê-se a Graça e a Mouraria
E o Tejo, que alegria!
Que linda vista que tem

É, de todos, o mais belo
O nosso querido Castelo
Aos Mouros foi conquistado
Orgulho da nossa Lisboa
Com amor lhe dou a coroa
Como um herói do passado

Obrigado ao @4FadoLisbon e a fadosevielas

divendres, 21 d’abril del 2023

Fado Portugues

Gairebé un any sense publicar res en aquest petit racó de fado. No es pas per haver bandejat aquesta música que continua estant dins del meu cor i que cada dia escolto, tot i que de moment lluny del meu estimat Portugal. Esperem temps millors que de segur arribaran. Ahir el meu amic João Costa em va enviar l'enllaç d'aquest video amb l'entrevista que li van fer a la meva estimada Sandra Correia al seu cantinho de fado de Vila Nova de Gaia, i no em resisteixo a tornar a obrir el blog per fer-ne tota la publicitat que mereix. A la vegada que em motiva a buscar la manera de poder-lo visitar el més aviat possible.


 Fins aviat Sandra. Até breve!




dimarts, 31 de maig del 2022

Retrobant amics

 



Ja hem parlat en aquest cantinho de fado de l'amic Jorge Morgado, a qui vaig veure i escoltar per primer cop a la casa de fados de l'estimada  Julieta Estrela, l'enyorat Fado Maior.

En la darrera visita a Lisboa aquest mes de març, vam tenir ocasió de tornar-lo a veure a les famoses Quintas de Fado del Restaurante A Niní, on vam fer aquestes gravacions que deixem aqui.

Deixem  aqui a més de la seva creació del fado de Júlio de Sousa "Saudade vai-te embora"  dos temes més: un fado Bailado, i un fado Esmeraldinha amb una lletra interessant que el mateix fadista em va facilitar i que transcric tal qual ell me la va donar.

L'estil particular i intimista de Morgado és d'aquells que t'acarona, que et transmet allò que la lletra del fado diu, que seria com dir que és un fadista de cap a peus, que gaudeix d'allò que fa i que sap que ho fa bé, perque ho fa de cor.

Sempre agraït, Morgado !





Saudade vai-te embora
Letra e musica de Júlio de Sousa


Olho a terra, olho o céu
E tudo me fala de ti
Do teu amor que perdi
Quando a minh'alma se perdeu

Sim, a única verdade
Presente no nosso amor
Tem como imagem, a cor
Tão bela e triste, da saudade

Saudade, vai-te embora
Do meu peito tão cansado
Leva para bem longe este meu fado
Ficou escrita no vento esta paixão
E à noite o vento é meu irmão
Anda a esquecer a tempestade
Também quero olvidar esta saudade
Ai de mim que eu não consigo
Volta amor porque é verdade


Vai-se a dor, volta a alegria
Vai-se o amor, fica a amizade
Só não parte do meu peito
Esta profunda saudade

Porque será que não vens
Espreguiçar-te nos meus braços
Porque será que me tens
Na poeira dos teus passos



 Fado Bailado



As minhas mãos

Manuel de Andrade / Alfredo Duarte *fado bailado*

Mãos abertas mãos de dar

As minha mãos são assim;
Viste-as abertas chegar
E abertas hão-de ficar
Quando tu morreres em mim

Ao partir não levarei / Nada mais do que ao chegar
Minhas mãos, quando tas dei / Vinham abertas e sei
Que abertas hão-de ficar

Nunca as juntei para rezar / Nem nunca as ergui aos céus
Minhas mãos, são mãos de dar / Não sabem querer nem esperar
Nem sequer dizer adeus

Ao partir não levarei / Nada teu, partindo em mim
De mãos abertas irei / Passado nunca o terei
As minhas mãos são assim




Fado Esmeraldinha

 

 Sempre el nostre agraïment a l'amic José Fernandes Castro i al seu blog fadosdofado

dilluns, 16 de maig del 2022

De nou aquí

 

De nou aquí després de tants mesos sense escriure res en aquest cantinho de Fado. No ha estat per falta de ganes, però si de temps i de tranquil·litat per poder dedicar-me a aquest assumpte que m'agrada ... el Fado


I volia, des de fa molt de temps,  parlar d'aquesta petita meravella que és  aquesta Comèdia Musical titulada "O Julgamento do Chico de Cachené"
N'havia sentit a parlar molt l'any 2012 quan es va reposar a l'escenari aquesta peça teatral que es remunta al 1945 quan Linhares Barbosa, i aqui podeu llegir la història, va compondre aquest "auto poético fadista" 
Bé, al mes d'abril de 2012 és va tornar a portar als escenaris amb aquest cartell que tenim a l'esquerra, i jo m'ho vaig perdre... Aquell any també vaig visitar Lisboa, però un mes abans!

Ara i gràcies a FadoTV i a l'amic José Fernández Castro  que dirigeig el blog Fadosdofado disposem d'imatges i de les lletres originals de la peça. Lògicament per la reestrena del 2012 hi ha presentacions i lletres que s'han hagut de modificar per adaptar-les als temps actuals i als protagonistes de l'obra.

Així doncs, veiem el vídeo i seguim les extraodinàries lletres del Mestre Linhares Barbosa, i la magnífica representació que ens ofereixen els cinc valents que ens han fet reviure allò que no vam viure, però de les que en sentíem Saudades. És el que té la Saudade, la sentim fins i tot d'allò que no hem viscut.




O Julgamento do Chico do Cachené espectáculo completo "Comédia Músical em Fado"



Després de la presentació cantada i adaptada als temps de Daniel Gouveia, comença la representació.

QUEM É O CHICO DO CACHENÉ   (corrido em Re)

O "Chico do Cachené"
Tem sempre um grãozinho n’asa
É o Faia mais fadista
Que "habita" na minha casa


Com ele nunca houve tricas / Nem intrigas, nem sarilhos
Gostam dele, e os meus dois filhos / Tanto o Licas como o Tricas
Dizem que amou certa Micas / Que poucos sabem quem é 
E que ela passou o pé / Deixando quase no esquife
Num quarto do "Bairro Bife"
O "Chico do Cachené"


Sempre mãos nas algibeiras / Sorriso sempre na "lata"
Na boca sempre a beata / P'ra lhe dar "tic" às maneiras
Atira-se às cantadeiras / E já marcou entrevista
A certa mulher bairrista / Que a altas horas lá cai
Quem for com ele mal não vai
É o Faia mais Fadista

Dizem que aquele chapéu / Que o cachené e a tralha
E que também a medalha / Foi a Micas que lhe deu
Dês' que ela desapareceu / P'ra se atolar mais na vasa
No peito dele, uma brasa / Abrasa-lhe o coração
Pobre Faia. Desde então
Tem sempre um grãozinho n’asa

Outro dia, um badameco / Armou por lá uma cena
Lá porque a sua pequena / Estava a olhar p'ra o boneco"
Ele olhou o "Papo Seco" / E nisto, o "pipi" foi d'asa
Com ele ninguém faz vasa / E ainda mais o admiro
Porque é o tipo mais "giro"
Que "habita" na minha casa


O CHICO DO CACHENÉ  (Fado Helena)


Certa vez, foi à noitinha / 
O Chico do Cachené
Chamou-me e disse: «Farinha
Vou contar-te a vida minha / 
Para saberes como é

Bem criado e mal fadado / Os meus pais tinham de seu
Por eles era adorado 
Instruído e educado / Cheguei a andar no liceu

Ao estudo tomei horror / Era p’ra mim um suplício
Deixei aula e professor: / Fui p’ra aprendiz de impressor
Para uma casa do ofício

Eu era menino e moço / Simples como uma donzela
’Té que um dia – que alvoroço / Fui à Travessa do Poço
Vi a Micas, gostei dela

A casa não voltei mais / Meus pais tiveram desgosto
Calcula: deixei meus pais 
Preso nos olhos fatais / Que a Micas tinha no rosto

Com ela aprendi o Fado / O Fado a que te dedicas
Mas sempre, sempre empregado
Que, p’ra mim, era um pecado / iver à custa da Micas

Vivi assim alguns anos / Quatro vezes lhe pus casa
Mas o seus olhos tiranos
Vadios como dois ciganos / Fugiam, batiam asa

Muita vez a fui buscar / Às ruas do outro «fado»
Um dia, p’ra não voltar
Fugiu... É que o seu olhar / Tinha que ser desgraçado

Hoje não tenho um afago / Um carinho, uma afeição
Sou um esquecido, mal pago
É no vinho que eu apago / O fogo desta paixão

Depois de contar-me a vida / O Chico pôs-se de pé
Pediu mais uma bebida
E uma lágrima atrevida / Caiu-lhe no cachené


A MICAS ERA UMA JÓIA (Fado Marcha Manuel Marias)

Todos cantam a odisseia / Do Chico, com simpatia
Mas ninguém diz que, ao velhaco
Quando estava na cadeia / Era a Micas quem lá ia
levar onças de tabaco

Não vivia à custa dela / Não fazia dela escrava
Louvo-lhe esses sentimentos
Mas muita, muita farpela / Era a Micas que a comprava
Numa loja, a pagamentos

A Micas era uma jóia / Leviana, sim, talvez
No fundo, uma desgraçada
Certa vez, numa rambóia / Por nada que ela lhe fez
Ele moeu-a à pancada

Resultou, dessa tareia /  da forma de a agredir
O ser preso... e até se diz:
Só esteve um mês na cadeia / Porque a Micas foi pedir
por ele, ao Doutor Juiz

Também se deu um sarilho / uito grande, entre ela e ele:
A mãe dela mo contou 
A Micas tivera um filho / Um filhinho que era dele
E que ele não perfilhou

Não vim para a defender / Nem levantar-lhe degrau
No trono das desgraçadas
Mas costuma-se dizer / Que quando cachorro é mau
Todos lhe atiram pedradas


BÊBADO, BATOTEIRO E DESORDEIRO (Fado Corrido em Fa)


Ele ganhava um quartinho
Era sempre o que ganhava
Mas gastava tudo em vinho!
E às vezes não lhe chegava


Conheci-o, meus senhores / De "setenta", de "ginjeira"
Numa banca pataqueira / Ali p'ra os Restauradores
Como tod'os jogadores / Andava sempre a caminho
Da tavolagem, p'ro "pinho" / Sempre a pedir emprestado
Mas não era precisado
Ele ganhava um quartinho

Entrou na Dança da Bica / Lembro-me, era eu criança
Fez com que acabasse a dança / E foi parar à Botica
Uma outra vez, em Benfica / Em que o Brito improvisava
Ameaçou quem lá estava / E desafiou uns poucos
Por fim, apanhou dois socos
Era sempre o que ganhava

A Micas gostava dele / Chamava-lhe o "seu menino"
Sei que lhe deu um varino / Com uma gola de pele
Deu-lhe um relógio, um anel / 'Té o próprio "pianinho"
Em que tocava o fadinho / Ela lho dera também
O Chico ganhava bem
Mas gastava tudo em vinho

O "Chico do Cachené" / É tatuado no peito
Prestou-se a isso o sujeito / Quando esteve em S. José
Se isto é verdade, ou não é / Não sei: era o que constava
A "massa" que lhe emprestava / O Samuel agiota
Era toda pr'à batota
E às vezes, não lhe chegava


AS MÁS COMPANHIAS (Fado Vianinha)


O Chico fez tropelias
E deu aborrecimentos
Só devido às companhias
E não aos seus sentimentos


Cantava o Fado, era faia / Bebia, jogava à chapa
Mas sempre vestia capa / Pelo círio da Atalaia
A Micas era da laia / Das que fazem judiarias
Duma vez andou dez dias / Afastada do cortiço
Como não gostava disso
O Chico fez tropelias

Certa vez que o Chico foi / Às toirinhas em Palmela
Era ouvir o grito dela / O meu Chico hoje é um boi
Sou mulher, Deus me perdoe / Que este e outros argumentos
Venham a ser elementos / P’ra quem o Chico processa
A Micas era má peça
E deu aborrecimentos

Numa certa terça-feira / Foram ambos para a esquadra
Porque na Feira da Ladra / Ela armou em desordeira
Fora que a Júlia Cesteira / Adela nas Olarias
E dava ali os «bons-dias» / Pisou a saia da Micas
O Chico meteu-se em tricas
Só devido às companhias

Outra vez, p’lo Carnaval / Foram ao baile à Trindade
Pois diga-se à puridade / Que ambos não dançavam mal
Um guarda municipal / Disse dois atrevimentos
O Chico deu-lhe dois «tentos» / E tudo isto presume
Que levou tudo ao ciúme
E não aos seus sentimentos


BOÉMIO, VALENTE E ARTISTA (Fado Mouraria)

Vingava a honra ofendida
Tinha uma alma altruísta
Antes do Fado ser Arte
Já a Chico era um Artista


Certo "Amigo de Peniche” / Que ele julgava uma jóia
Viu-o ele de tipóia / Com a Micas, em Carriche
Viu-os, aguentou-se fixe / Mas não gostou da partida
Depois, 'spancou a atrevida / E o amigo de má-fé
Era assim o «Cachené»
Vingava a honra ofendida

Teve amigos verdadeiros / Escritores e doutores
Tu cá, tu lá, com actores / Tu lá, tu cá, com toureiros
Deu-se até com Conselheiros / E com muito Jornalista
Foi o melhor "Cancanista" / Do Baile dos Quintalinhos
E, entre vários pergaminhos
Tinha uma alma altruísta

Em noites de S. João / Passava noites inteiras
Dançando valsas rasteiras / Mazurcas, Polca a Tacão
Palhinhas e jaquetão / Calça branca, ou de zuarte
Nas feiras, por toda a parte / Com titulares, com ciganos
Passou-se isto há trinta anos
Antes do Fado ser Arte

Jogava o Pau e à Espada / Em qualquer jogo, era rijo
Uma tarde, no Montijo / Varreu a Vila à paulada
Em muita espera e toirada / Deixou a perder de vista
Muito forcado burlista / E, nos sectores da "Canção"
'Inda não davam cartão
Já o Chico era um Artista


SENTENÇA (Fado Carlos da Maia sextilhas)

O Chico do Cachené / Já todos sabem quem é
É um boneco inocente
Sem gestos, sem atitudes / Sem defeitos, sem virtudes
Um boneco, simplesmente

Concebido e modelado / P’la nossa imaginação
Com barro de fantasia
É um sopro do passado / Um pouco de tradição
De sonho e de poesia

Criámo-lo à nossa imagem / Com mais ou menos verdade
Somos os seus criadores
Rendemos-lhe vassalagem / Porque fala de saudade
E até dos nossos amores

Pretendemo-lo julgar / Vimos que ele era, porém
Filho do meio ambiente
E que era um caso vulgar / Era um tudo de ninguém
Um nada de toda a gente

Ninguém com certeza ignora / Que estivemos evocando
A tradição, o passado
Bendita esta «Boa-Hora» / Onde estivemos brincando
Com as guitarras e o Fado

Não se provou a má fé / Nos pecados do arguido
Que as paixões não nos iludam
O Chico do Cachené / Está, portanto, absolvido
«Leis do Fado não se mudam»


Linhares Barbosa ainda escreveu mais uma letra sobre o «Chico do Cachené»
para o cartaz que anunciava a representação de 1948 no Café Luso, intitulada 
"Alguns Comentários" onde fazia a apresentação do elenco e onde se vê
que alguns dos fadistas e instrumentistas da primeira representação 
foram substituídos:


LEIS DO FADO NÃO SE MUDAM 
(Bocage)

O Chico, mais uma vez
Foi preso e vai ser julgado
«Leis do Fado não se mudam»
Reza um antigo ditado


Cumprindo das leis o uso / O Chico vai a Juízo
Porque o juízo é preciso / E o Chico ao juízo é escuso
Vai ser julgado no «Luso» / Lá para o fim deste mês
Será punido?... Talvez! / Esperemos que a Justiça fale
Enfim, vai a tribunal
O Chico, mais uma vez

Já anda metendo cunhas / Para não ser condenado
Mas não leva um advogado / Um daqueles que tem «unhas»
Conhecem-se a testemunhas / É tudo gente do Fado
Vai a Lourdes do Machado / O Farinha, o Gabino
Pobre faia!... É o destino!
Foi preso e vai ser julgado

Vai o Jacinto Pereira / Que o deseja ver na montra
E também vai depor contra / A Natália, a galinheira
A Márcia, outra cantadeira / Vai pedir que ao Chico acudam
Mas estas coisas não grudam / Nem convencem os jurados
O Chico tem seus pecados.
«Leis do Fado não se mudam»

Sempre metido na «Adega / Do Machado», o infeliz
Comia e bebia a «giz» / E apanhava a sua cega
O Flávio, este não sossega / O Amando anda enervado
O Nery, vai estar ao lado / Do Chico do Cachené
O que nos salva é a Fé
Reza um antigo ditado

 Aquest  és la introducció de l'obra en la versió de 1945. 


També i amb música final sentim una desgarrada amb música de Pedro Rodrigues, amb uns versos de cada un tels temes que hem escoltat abans.

Espero que qui passi per aqui, la disfruti com jo faig cada cop que l'escolto.