dilluns, 10 de maig de 2010

Jorge Costa


Ahir va morir Jorge Costa, fadista vadio de qui vàrem parlar aqui l'any passat, i a qui vaig tenir el plaer de coneixe'l a Lisboa fa un parell d'anys.

Vivia, com diu la copla, nits de bohémia i d'il·lusió. Va escollir fer allò que li agradava, això és: cantar el fado. No hi havia una nit que passejant pels carrerons d'Alfama no te'l trobessis, a rua de São Miguel, a rua dos Remédios, tan ao Tejo Bar, com A Baiuca , a Fermentação o a Mesa de Frades i a molts altres llocs va anar deixant la seva petja.

Ell vivia cantant, vivia só p'ra cantar, com diu el poema de Manuel de Andrade....

...portanto hoje, meu querido Jorge, vamos lembrar-te neste cantinho dedicado ao Fado, com este poema que fala do que foi o leme da tua curta, embora intensa vida. O teu coração fez calar os teus ais, mas nós, como tu fizeste, seguimos cantando p'ra não chorar.






Eu canto para não chorarl.- Manuel de Andrade
m.- Joaquim Campos *fado Puxavante*

Eu canto p'ra não chorar
chorando canto também
eu vivo só p'ra cantar
toda a dor que a vida tem.

Comecei de pequenino
por este doce caminhar
fiz do fado o meu destino
eu vivo só p'ra cantar.

Aquela canção tão linda
que me ensinou minha mãe
cada vez que a lembro, ainda
chorando-a canto-a também.

Como uma prece diferente
que aos pés de Deus vá rezar
cada um canta o que sente
eu canto p'ra não chorar.

Na minha voz dolorida
o fado retrata bem
as incertezas da vida
toda a dor que a vida tem.