diumenge, 5 d’agost de 2012

Fado do Estudante

En Marco Rodrigues va gravar aquest tema dels lletristes i músics Raúl Ferrão, Raúl Portela i José Galhardo que fa anys va popularitzar l'actor Vasco Santana, al qual he arribat gràcies a aquesta gravació del Marco.

Em va agradar tant aquesta lletra que navegant pel Yotube, em vaig trobar amb el film "A Canção de Lisboa" on el gran comediant Vasco de Santana en fa una interpretació magistral.

Aqui presentem els dos fadistes l'un del 1933 i l'altre del 2011.
Els temps canvien i els temps, fan canviar els estils.


Fado do estudante


Que negra sina, ver-me assim / Que sorte vil, degradante
Ai que saudade eu sinto em mim / Do meu viver de estudante

Nesse fugaz tempo de amor que dum rapaz é o melhor
Era um audaz conquistador das raparigas
De capa ao ar, cabeça ao léu, só para amar vivia eu
Sem me ralar e tudo mais eram cantigas

Nenhuma delas me prendeu / Deixá-las eu, era canja
Até ao dia em que apareceu / Essa traidora da franja

Sempre a tenir, sem um tostão, batina a abrir por um rasgão
Botas a rir, um bengalão e ar descarado
A vadiar com outros mais ia dançar p’ros arraiais
P'ra namorar, beber, folgar, cantar o fado

Recordo agora com saudade / Os calhamaços que eu lia
Os professores, a faculdade / E a mesa de anatomia

Invoco em mim recordações que não têm fim
Dessas lições frente ao jardim do velho campo de Santana
 

Aulas que eu dava e se estudasse ainda estava nessa classe
A que eu faltava sete dias por semana


O fado é toda a minha fé / Embala, encanta e enebria
Pois chega a ser bonito até / Na rádio ou telefonia

Quanto é tocado com calor, bem atirado e a rigor
É belo o fado, ninguém há quem lhe resista
É a canção mais popular, tem emoção faz-nos vibrar
E eis a razão de eu ser doutor e ser fadista.



letra tirada do blog fadosdofado

dimecres, 1 d’agost de 2012

Agost

Agost. Diuen que és el mes més calorós de l'any, estem en plena canícula o potser ja l'estem deixant enrera. Però la intensitat de la calor es deixa notar, com també ho fa el fadista que ens presenta aquest mes: Ricardo Ribeiro, o com li diu el meu amic Américo  O Senhor fado.

És perquè aquest jove fadista sent el fado en cos i ànima. Nascut al barri d'Ajuda, a Lisboa, a begut de les fonts de fadistes com Fernando Maurício i té com a referents, també, a Manuel Fernandes o Alfredo Marceneiro. Amb quinze anys ja cantava fados al mític Os Ferreiras -segons he sentit, ara tancat després de la mort del seu propietari.

Col·labora habitualment amb projectes ben interesants i li agrada cantar i posar el sentiment que cal en allò que canta, ja sigui fado, tango o música àrab. És sentiment, és calor, és intensitat, és en Ricardo Ribeiro, O Senhor fado.

Aqui amb aquesta col·laborarció amb Pedro Joia, ens deixa aquest Entrega de Pedro Homem de Melo amb música de Carlos Gonçalves.

Agost, Agosto, Agosto



Entrega





"Descalço venho dos confins da infância
Que a minha infância ainda não morreu.
Atrás de mim em face ainda há distância,
Menino Deus, Jesus da minha infância,
Tudo o que tenho, e nada tenho, é teu

Venho da estranha noite dos poetas,
Noite em que o mundo nunca me entendeu
Vê trago as mãos vazias dos poetas.
Menino Deus, amigo dos poetas,
Tudo o que tenho, e nada tenho, é teu

Feriu-me um dardo, ensanguentei as ruas
Onde o demónio em vão me apareceu.
Porque as estrelas todas eram suas
Menino irmão dos que erram pelas ruas
Tudo o que tenho, e nada tenho, é teu!

Quem te ignorar ignora aos que são tristes
Ó meu irmão Jesus, triste como eu
Ó meu irmão, menino de olhos tristes,
Nada mais tenho além dos olhos tristes
Tudo o que tenho, e nada tenho, é teu!"

dimecres, 25 de juliol de 2012

Ana Catarina Grilo

En la nostra estada a Lisboa el passat mes d'abril vam passar una nit de fados al restaurant A NiNi de la rua Manuel de Melo, i vam escoltar diversos fadistes, d'alguns dels quals lamento molt no recordar-ne els noms.

Entre tots els que vam escoltar aquella nit, aquesta noia que presentem en aquests vídeos i que recordo el nom, es diu Ana Catarina.

He buscat informació i sembla que es tracta d'Ana Catarina Grilo a qui correspont la fotografia, que va guanyar el concurs de fado amador de Setúbal el 2011.

Si no fos així, espero dels bons amics de Portugal les oportunes rectificacions.
Muito Obrigado, moltes gràcies.

 Na boca de toda a gente

 
Tiago Torres da Silva / Daniel Gouveia *fado daniel*

Se eu te disser ao ouvido
Que o fado me tem pedido
Para ninguém o cantar;
Por favor, guarda segredo
Porque o fado está com medo
Que alguém o queira matar

Anda tão envergonhado
Que diz que já nem é fado / Nem julga que o fado exista
Porque quem sente vaidade
Em dar abrigo à saudade / Já não pode ser fadista

E depois o fado diz
Que não pode ser feliz / Na boca de toda a gente
E que talvez a meu lado
Possa voltar a ser fado / Como era antigamente

É por isso que eu lhe digo
Que quando lhe dou abrigo / Sinto o peito tão cansado
E um dia, talvez consiga
Que ao chorar o fado diga / Que quer voltar a ser fado.

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 Minha mãe eu canto a noite
 
 Vasco de Lima Couto / Popular *fado menor*

Minha mãe, eu canto a noite
Porque o dia me castiga
É no silêncio das coisas
Que eu encontro a voz amiga

Minha mãe, eu sofro a noite / Neste amor em que me afundo
Porque as palavras da vida / Já não têm outro mundo

Minha mãe eu grito a noite / Como um barco que te afasta
E naufraga no mar alto / Ao pé da onda mais casta


Minha mãe o que fizeste / O que fez o teu amor
Naquela hora tardia / Em que me pariste em dor

Por isso sou este canto / Minha mãe, tão magoado
Que visto a noite em meu corpo / Sem destino, mas com fado

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Julguei endoidecer
 
 Tristão da Silva / Júlio Proença *fado esmeraldinha*


Julguei endoidecer quando partiste
Ficando entre nós dois, funda barreira
Caiu dentro de mim, a noite triste
Feita de sombras negras, sem clareira

Durante dias, fui folha caída
Que o vento vai levando por aí
Fumei, chorei, bebi, mal disse a vida
E desejei morrer, morrer por ti

Morrer por ti eu quis, porque a saudade
Falou em mim, mais alto que a razão
Não me deixando ver esta verdade
Não és homem que valha esta paixão

Quero voltar á vida que vivi
Quero voltar a ser, tal como outrora
Maldito seja o dia em que te vi
Bendito sejas tu, p'la vida fora.


Letras tiradas do blog amigo fadosdofado

divendres, 20 de juliol de 2012

fado... balada....

Jorge Fernando, un nom ilustre en el món del fado i des de qualssevol punts de vista, un innovador ,un "revolucionari" del fado sense trair el seu esperit.

M'agrada enormement tot el que ell fa i com acompanya els fadistes amb la viola de fado . He tingut la sort de veure'l diverses vegades a Lisboa, sobretot a la Casa de Linhares, però també passejant amb altres fadistes per les ruas d'Alfama de tasca en tasca per compartir, menjar, beure i cantar el fado.

Diria que és una persona senzilla i que estima el que fa, com, si no, podria escriure, musicar i interpretar una balada-fado -o viceversa- com aquest

Quebranto

Letra e musica de Jorge Fernando

Nesse teu olhar timbre de mel
Onde deito os olhos a perder
Descubro que o querermos ser fiel
Não depende só de queremos ser
Desce em mim um silêncio
Um leve quebranto
Que triste paira no ar
E p'la calada da noite

Me faz voltar
Me faz voltar

Não posso pôr a mão no pensamento
Reduzi-lo ao fechar da minha mão
Mas sempre a ti regressa em voo lento
Como te sou fiel, descubro então

Por isso, minha amada de olhos doces
Onde me traio para te ser fiel
Assim eu não seria, se não fosse
Esse teu olhar timbre de mel.


letra tirada do blog fadosdofado

 

diumenge, 15 de juliol de 2012

Manuel Cardoso de Menezes

Fa algun temps que vaig comprar aquest CD de Cardoso de Menezes, conegut popularment com Margaride, de qui havia sentit a parlar però a qui no li coneixia la veu.

Es tracta d'un fadista dels anomenats "amador" que a més de la seva professió d'ingenyer, té en el fado la seva segona vocació -o potser la primera- i que ha gravat alguns CDs.

Presentem aqui un fado que considero poc cantat avui dia, el fado Cuf d'Alfredo Marceneiro, amb un poema d'Artur Ribeiro, amb el títol de Atalhos proibidos, conegut també amb el nom de

Há fado dentro de mim



Há fado em mim

Artur Ribeiro / Miguel Ramos 
 
Há fado na minh’alma por ti louca
Neste anseio de choro que m´invade
E que deixa ficar na minha boca
O travo tão amargo da saudade

Há fado nesta lágrima sentida
Que brinca no meu riso amargurado
E vai caír teimosa e dolorida
Sob as notas vadias do meu fado

Há fado se não dormes no meu peito
No tanger das guitarras em quebranto
Há fado no meu canto contrafeito
Pois te não vejo aqui, enquanto canto

Há fado, nos meus passos descabidos
No meu bater à porta sempre errada
Quem anda por atalhos proibidos
Pode chegar ao fim e não ter nada.


letra tirada do blog  fadosdofado

dimarts, 10 de juliol de 2012

Fado Património da Humanidade

Aquest és el títol d'un CD que vaig comprar a Lisboa l'abril passat.

Volia tenir alguna gravació del grup Entre Vozes, formació creada a la dècada dels noranta per les fadistes Alexandra, Alice Pires, Lenita Gentil i Maria da Fé, i en aquest CD n'hi ha tres, i a més també hi trobem al grup Quatro Cantos i al Quinteto Amália.

Hi ha poca informació d'aquesta formació musical i desconec si ha variat els seus components al llarg del temps, i per tant desconec -el CD és parc en informació- si aquestes fadistes que canten són les que van formar el grup en un principi.
Us deixo amb Entre Vozes.

Medley de cançons d'Amália
Amália (José Galhardo / Federico Valério)
Amália,  quiz Deus que fosse o teu nome
Amália,  acho-lhe um jeito engraçado
bem nosso e popular
quando oiço alguém gritar
Amália,  canta-me o fado
Amália,  esta palavra ensinou-me
Amália,  tu tens na vida que amar
e como até morrer
amar é padecer
Amália chora a cantar!

Ai Mouraria (Federico Valério / Amadeu do Vale)
Ai Mouraria da velha Rua da Palma
Onde eu um dia deixei presa a minha alma
Por ter passado, mesmo a meu lado, certo fadista
De cor morena, boca pequena, e olhar trocista

Ai Mouraria do homem do meu encanto
Que me mentia, mas que eu adorava tanto
Amor que o vento, como um lamento, levou consigo
Mas que ainda agora, e a toda a hora, trago comigo

Ai Mouraria

Dos rouxinóis nos beirais
Dos vestidos cor de rosa
Dos pregões tradicionais
Ai Mouraria

Das procissões a passar
Da Severa, a voz saudosa
Da guitarra a soluçar.

Vou dar de beber a dor (Alberto Janes)
 Foi no domingo passado que passei
Á casa onde viva a Mariquinhas
Mas está tudo tão mudado que não vi em nenhum lado
As tais janelas que tinham tabuínhas;

Do rés do chão ao telhado, não vi nada, nada, nada
Que pudesse recordar-me a Mariquinhas
E há um vidro pregado e azulado

Onde havia as tabuínhas
As janelas tão garridas que ficavam
Com cortinados de chita ás pintinhas
Perderam de todo a graça, porque é hoje uma vidraça
Com cercadura de lata ás voltinhas;
E lá p'ra dentro quem passa, hoje é p'ra ir ao penhor
Entregar ao usurário umas coisinhas
Pois chega a esta desgraça, toda a graça
A casa da Mariquinhas

P'ra terem feito a casa o que fizeram
Melhor fôra que a mandassem prás alminhas
Pois ser casa de penhores, o que foi viveiro de amores
É ideia que não cabe cá nas minhas;
Recordações do calor e das saudades, o gosto
Que eu vou procurar esquecer, numas ginginhas
Pois dar de beber á dôr, é o melhor
Já dizia a Mariquinhas.

Uma casa portuguesa (Reinaldo Ferreira / Matos Sequeira / Artur Fonseca)
Numa casa portuguesa fica bem
Pão e vinho sobre a mesa
E se á porta humildemente bate alguém

Senta-se á mesa c'oa gente;
Fica bem essa franqueza, fica bem
E o povo nunca desmente;
Que a alegria da pobreza
Está nesta grande riqueza
De dar e ficar contente
Quatro paredes caiadas, um cheirinho a alecrim
Um cacho de uvas doiradas, duas rosas num jardim
Um São José de azulejo, mais o sol da primavera
Uma promessa de beijos, dois braços à minha espera
É uma casa portuguesa, concerteza
É concerteza, uma casa portuguesa.