diumenge, 15 de juliol de 2012

Manuel Cardoso de Menezes

Fa algun temps que vaig comprar aquest CD de Cardoso de Menezes, conegut popularment com Margaride, de qui havia sentit a parlar però a qui no li coneixia la veu.

Es tracta d'un fadista dels anomenats "amador" que a més de la seva professió d'ingenyer, té en el fado la seva segona vocació -o potser la primera- i que ha gravat alguns CDs.

Presentem aqui un fado que considero poc cantat avui dia, el fado Cuf d'Alfredo Marceneiro, amb un poema d'Artur Ribeiro, amb el títol de Atalhos proibidos, conegut també amb el nom de

Há fado dentro de mim



Há fado em mim

Artur Ribeiro / Miguel Ramos 
 
Há fado na minh’alma por ti louca
Neste anseio de choro que m´invade
E que deixa ficar na minha boca
O travo tão amargo da saudade

Há fado nesta lágrima sentida
Que brinca no meu riso amargurado
E vai caír teimosa e dolorida
Sob as notas vadias do meu fado

Há fado se não dormes no meu peito
No tanger das guitarras em quebranto
Há fado no meu canto contrafeito
Pois te não vejo aqui, enquanto canto

Há fado, nos meus passos descabidos
No meu bater à porta sempre errada
Quem anda por atalhos proibidos
Pode chegar ao fim e não ter nada.


letra tirada do blog  fadosdofado

dimarts, 10 de juliol de 2012

Fado Património da Humanidade

Aquest és el títol d'un CD que vaig comprar a Lisboa l'abril passat.

Volia tenir alguna gravació del grup Entre Vozes, formació creada a la dècada dels noranta per les fadistes Alexandra, Alice Pires, Lenita Gentil i Maria da Fé, i en aquest CD n'hi ha tres, i a més també hi trobem al grup Quatro Cantos i al Quinteto Amália.

Hi ha poca informació d'aquesta formació musical i desconec si ha variat els seus components al llarg del temps, i per tant desconec -el CD és parc en informació- si aquestes fadistes que canten són les que van formar el grup en un principi.
Us deixo amb Entre Vozes.

Medley de cançons d'Amália
Amália (José Galhardo / Federico Valério)
Amália,  quiz Deus que fosse o teu nome
Amália,  acho-lhe um jeito engraçado
bem nosso e popular
quando oiço alguém gritar
Amália,  canta-me o fado
Amália,  esta palavra ensinou-me
Amália,  tu tens na vida que amar
e como até morrer
amar é padecer
Amália chora a cantar!

Ai Mouraria (Federico Valério / Amadeu do Vale)
Ai Mouraria da velha Rua da Palma
Onde eu um dia deixei presa a minha alma
Por ter passado, mesmo a meu lado, certo fadista
De cor morena, boca pequena, e olhar trocista

Ai Mouraria do homem do meu encanto
Que me mentia, mas que eu adorava tanto
Amor que o vento, como um lamento, levou consigo
Mas que ainda agora, e a toda a hora, trago comigo

Ai Mouraria

Dos rouxinóis nos beirais
Dos vestidos cor de rosa
Dos pregões tradicionais
Ai Mouraria

Das procissões a passar
Da Severa, a voz saudosa
Da guitarra a soluçar.

Vou dar de beber a dor (Alberto Janes)
 Foi no domingo passado que passei
Á casa onde viva a Mariquinhas
Mas está tudo tão mudado que não vi em nenhum lado
As tais janelas que tinham tabuínhas;

Do rés do chão ao telhado, não vi nada, nada, nada
Que pudesse recordar-me a Mariquinhas
E há um vidro pregado e azulado

Onde havia as tabuínhas
As janelas tão garridas que ficavam
Com cortinados de chita ás pintinhas
Perderam de todo a graça, porque é hoje uma vidraça
Com cercadura de lata ás voltinhas;
E lá p'ra dentro quem passa, hoje é p'ra ir ao penhor
Entregar ao usurário umas coisinhas
Pois chega a esta desgraça, toda a graça
A casa da Mariquinhas

P'ra terem feito a casa o que fizeram
Melhor fôra que a mandassem prás alminhas
Pois ser casa de penhores, o que foi viveiro de amores
É ideia que não cabe cá nas minhas;
Recordações do calor e das saudades, o gosto
Que eu vou procurar esquecer, numas ginginhas
Pois dar de beber á dôr, é o melhor
Já dizia a Mariquinhas.

Uma casa portuguesa (Reinaldo Ferreira / Matos Sequeira / Artur Fonseca)
Numa casa portuguesa fica bem
Pão e vinho sobre a mesa
E se á porta humildemente bate alguém

Senta-se á mesa c'oa gente;
Fica bem essa franqueza, fica bem
E o povo nunca desmente;
Que a alegria da pobreza
Está nesta grande riqueza
De dar e ficar contente
Quatro paredes caiadas, um cheirinho a alecrim
Um cacho de uvas doiradas, duas rosas num jardim
Um São José de azulejo, mais o sol da primavera
Uma promessa de beijos, dois braços à minha espera
É uma casa portuguesa, concerteza
É concerteza, uma casa portuguesa.

 

dijous, 5 de juliol de 2012

Quadras

Les quadras -quartets- són poemes de quatre versos i són una de les expressions més populars en el món del fado.
Sovint podem veure el títol de "Quadras soltas" en molts CDs de fado, cantades en diferents músiques. Es tracta d'estrofes de quartre versos, la major part de les vegades agafades de diversos fados i cantades segons l'ordre que el fadista vol.
Aquestes poema que avui escoltem aqui, a més, es diu Cinco quadras ao gosto popular, cantades amb la música de Fado Alfacinha del guitarrista Jaime Santos.

Els versos són de Fernando Pessoa, i ens els canta Duarte. Aquestes quadras que va gravar en el seu primer treball discogràfic Fados Meus, són de Fernando Pessoa.
Un CD, aquest de Duarte, molt interessant i recomanable.

Fernando Pessoa/Fado Alfacinha
Cantigas de portugueses
são como barcos no mar
vão de uma alma para outra
com riscos de naufragar.

Dias são dias, e noites
são noites e não dormi...
os dias a não te ver
as noites pensando en ti.

Tenho vontade de ver-te
mas não sei como acertar.
Passeias onde não ando,
andas sem eu te encontrar.

Quero lá saber por onde
andaste todo este dia!
Nunca faz -bem que se esconde...
mas onde foste, Maria?

Quando a manhã aparece
dizem que nasce alegria
isso era se Ela viesse.
Até  de noite era dia.

diumenge, 1 de juliol de 2012

Juliol

Ja som al zènit, al bell mig de l'any, al cim de tot, una mica com ho está la fadista amb qui encetem aquest mes de juliol: Celeste Rodrigues, de qui crec que és la fadista en actiu més vella amb 89 anys i més de 60 cantant fados per les cases típiques de Lisboa.

Juliol ens porta la seva veu amb aquest vídeo-muntatge que hem preparat amb molt d'amor, amb algunes fotografies seves, tot recordant, amb molta saudade, aquella nit en què vam compartir taula a la casa de fados Cafè Luso a la Travessa da Queimada al bairro Alto.

Confesso que vaig sentir-me aclaparat per la fermesa i naturalitat amb què la Celeste ens va regalar els seus fados aquella nit.

Juliol és un mes intens, com ho és també la Celeste, a qui des d'aquest raconet li enviem un abraçada intensa i amb saudades.

Juliol, Julio, Julho

Ouvi dizer que me esqueceste

dilluns, 25 de juny de 2012

Célia Leiria

Nascuda a Santarém, vaig saber d'aquesta fadista a finals de l'any passat quan va treure el seu primer treball discogràfic "Caminhos", que va presentar a la seva ciutat natal l'onze de desembre passat.

Ja fa alguns anys que canta fados. En el 2001 va ser una de les convidades de Carlos Zel al casino d'Estoril en les seves mítiques Quartas de Fado i posteriorment ha actuat a la gala O Fado acontece, al Fòrum de Lisboa i en molts altres esdeveniments.

Sol estar acompanyada a la guitarra portuguesa per Pedro Amendoeira.

Del seu CD escoltem un fado tradicional, el Fado de Adiça, una música d'Armandinho, amb un poema de Manuel de Andrade. 


Horas da vida


Há horas, há tantas horas
nas horas que a vida tem
e, às vezes, em poucas horas
vivem-se vidas também.

Nas horas que te esperei
eu contei horas sem fim
tantas horas, que nem sei
se ainda há horas p'ra mim.

O tempo marca os seus passos
nas horas que nós contamos
e nós deixamos os traços
dos passos que nela damos.

A vida tem horas certas
são portas que nós fechamos
não ficam portas abertas
p'ras horas que atrás deixamos.

Se as portas e tantas horas,
ficaram todas fechadas,
às vezes em poucas horas,
ganham-se horas passadas.

dimecres, 20 de juny de 2012

É tão bom ser pequenino

Avui presentem uns poemes antics amb el mateix títol: "É tão bom ser pequenino" -És tan bonic ser petit.
L'un del poeta Carlos Conde cantat amb la música de fado Mouraria, per l'Alfredo marceneiro, i l'altre, que ja vam presentar aqui fa algun temps, amb música de fado Corrido, en aquest cas cantat pel fadista Rodrigo. La lletra és de Linhares Barbosa.
En ambdos casos els poetes lloen les bondats de ser petit, tenint qui et cuidi, tenint pare, mare, avis... tots sempre amatents per tal que no et falti de res.
Algú pot pensar que son poemes amb un cert tuf d'antigor, massa simples, o potser de llàgrima fàcil. Que avui ja no es diuen aquestes coses, o d'aquesta manera. Potser si que avui costa més de ser simples i hem tendit a fer-ho tot més complexe, i fins i tot amagar sentiments.

Avui em venia de gust parlar d'això.
Tenir pare, mare, avis, tenir esperança en el futur i tenir qui t'estimi...
Alfredo Marceneiro
É tão bom ser pequenino
L. Carlos Conde 
m. Fado Mouraria
 
É tão bom ser pequenino
Ter pai, ter mãe, ter avós
Ter esperança no destino
E ter quem goste de nós

Ver tudo com alegria
Sem delongas sem demoras
Viver a vida numa hora
Eternidade num dia
Ter na mente a fantasia
Dum bem que ninguém supôs
Ter crença sonhar a sós
Com a grandeza deste mundo
E para bem mais profundo
Ter pai, ter mãe, ter avós

Ter muito elevo a sonhar
Acordar e ter carinho
Ter este Mundo inteirinho
No brilho do nosso olhar
Viver alheio ao penar
Deste orbe torpe ferino
Julgar-se eterno menino
Supor-se eterna criança
E num destino sem esperança
Ter esperança no destino

Oh! Desventura, Oh! Saudade
Causas da minha inconstância
Dai-me pedaços de infância
Retalhos de mocidade
Dai-me a doce claridade
Roubando-a ao tempo atroz
Eu queria ter a minha voz
Para cantar o meu passado
E é tão bom cantar o fado
E ter quem goste de nós.

Rodrigo
 

É tão bom ser pequenino

João Linhares Barbosa / Popular *fado corrido*
É tão bom ser pequenino
Ter pai, ter mãe, ter avós
Ter esperança no destino
E ter quem goste de nós


Vem cá José Manuel / Dás-me a graciosa ideia
De Jesus na Galileia / A traquinar num vergel
És morenito de pele / Como foi o Deus menino
Tens o mesmo olhar divinov / Ai que saudades eu tenho
Em não ser do teu tamanho

É tão bom ser pequenino
Os teus dedos delicados / Nessas tuas mãos inquietas
Lembram-me dez borboletas / A voejar nuns silvados
Fui como tu, sem cuidados /Também já corri veloz
Vem cá, falemos a sós / Dum caso sentimental
Que eu vou dizer-te o que vale

Ter pai, ter mãe, ter avós
Ter avós, afirmo-to eu / Perdoa as imagens minhas
É ter relíquias velhinhas / E ter mãe, é ter o céu
Ter pai assim como o teu / Que te dá o pão e o ensino
É ter sempre o sol a pino / E o luar com rouxinóis
Triunfar como os heróis

Ter esperança no destino

Tu sabes o que é a esperança / O sonho, a ilusão a fé?
Sabes lá o que isso é / Minha inocente criança!
Tu és fonte na pujança / Eu, o rio que chegou á foz
Eu sou ante e tu após / Ai que saudades, saudades
A gente a fazer maldades

E ter quem goste de nós