Diuen que la saudade és l'amor que queda...
Ciceró va escriure que la vida dels morts perdura en la memòria dels vius, i així penso jo també.
Se recordar é viver
Só de recordações vivo
Com o coração cativo
Ao que não posso esquecer
É sempre tristonha e ingrata
Que se torna a despedida
De quem temos amizade
Mas se a saudade nos mata
Eu quero ter muita vida
Para morrer de saudade
Dizem que a saudade fere
Que importa quem for prudente
Chora vivendo encantado
É bom que a saudade impere
Para termos no presente
Recordações do passado
É certo que se resiste
Á saudade mais austera
Que á ternura nos renega
Mas não há nada mais triste
Que andar-se uma vida á espera
Do dia que nunca chega
Só lembranças ansiedades
O meu coração contém
Tornando-me a vida assim
Por serem tantas as saudades
Eu dou saudades alguém
Para ter saudades de mim
A fadista Fernanda Moreira, esteve em Barcelona para nos cantar o seu Fado. Muito bem acompanhada por António Marramaque, na guitarra portuguesa, e por António Reis, na viola de fado, encheram com sua voz e com os seus acordes quatro maravilhosas e inesquecíveis noites de fado no Restaurante Lisboa da rua de Comte Borrell.
Voltou o Fado a este recanto português da nossa cidade. Valeu a pena esperar todo este tempo para, finalmente, ouvir a voz desta fadista portuense que, mesmo nas primeiras palavras do primeiro fado que cantou, já deixou o público encantado e bem disposto.
Perguntaste-me outro dia se eu sabia o que era o fado… Estes simples versos bastaram para os fadistas receberem toda a atenção do público assistente.
No Fado de Fernanda Moreira há, desde a primeira nota, toda uma declaração de intenções. O Fado acontece desde o início, ele começa no cimo, no mais alto, Fernanda faz aquilo que o fado nos pede, isto é senti-lo, transmiti-lo. Essa é a sua vocação e o seu feitio, e foi a isso que se entregou durante as quatro noites que cantou no lindo recanto português da nossa cidade
Temas como Lágrima, Meu Portugal meu amor, Primavera, Nossa Senhora do Fado,ou Não gosto de ti, entre outros, misturando o fado tradicional com o chamado fado-musicado, e as músicas mais alegres com aquelas que precisam de mais interioridade, foram o cartão de visita da fadista nessas quatro noites de convívio fadista.
Os músicos, para além de acompanharem os fados, também cantaram. António Marramaque deliciou-nos com a música coimbrana, com O meu desejo, e António Reis cantou o Bairro Alto, criação do admirado Nuno de Aguiar, completando assim umas noites inesquecíveis.
O Fado é sentimento, são histórias contadas e cantadas, é, talvez, uma forma de viver e é por isso mesmo que o fado é proximidade, partilha… E foram tudo isso essas noites no Restaurante Lisboa. Fado, bom jantar português, bom vinho e boa companhia. Não podíamos pedir nada mais.
O nosso agradecimento muito especial aos músicos, à fadista, mas também aos donos do Restaurante Lisboa, o José Luis e a Luísa, por terem feito realidade o sonho de ter fado ao vivo na nossa cidade.
Bem hajam!
Cá vos deixo com uma amostra dos fados que cantou...
Fado Súplica
Eu preciso de te ouvir a voz
Vasco Lima Couto / Armando Machado *fado súplica* Repertório de Beatriz da Conceição
Não me fales amor, dá-me prazer
Com amizade se o quiseres, mas só
E as palavras caíram sobre o corpo
Como sobre uma estátua, o vento e o pó
Não me peças amor, mas o que é isto
Que nome queres que eu dê á tua idade
Se a carícia que prende a tua mão
Rende e ultrapassa o tempo d’amizade
Se a tua primavera é meu estado
No caminho da esperança que te exprime
Eu terei a alegria duma hora
Cada vez que o teu corpo se aproxime
E não perguntes mais do que é preciso
Encontrar na distãncia que há em nós
Com amor ou sem ele pouco importa
O que eu preciso é de te ouvir a voz.
António Marramaque e António Reis
Ah, fadista!
Compenetração total
A fadista e eu
Com os colegas das aulas de português
Um brindis apenas para dizer "até logo..."
Obrigado a todos os que me ajudarem na confecção deste post.
La fadista Fernanda Moreira cantarà a Barcelona. Serà al restaurant Lisboa del carrer de Comte Borrell, 145, per l'empenta i el coratge dels propietaris d'aquest racó portuguès de la nostra ciutat.
Fernanda Moreira no és "alfacinha", diríem que és "tripeira" o sigui que és nascuda a Porto tal com ens diu en aquest apunt biogràfic de la seva pàgina oficial...
Sou como sou...
O fado... Cresci ouvindo-o, cantando-o, sentindo-o. Não nasci na Mouraria, nem em Alfama, nem em qualquer outro bairro típico de Lisboa. Sou natural do Porto, esta linda cidade atravessada pelo belo rio Douro, de gente trabalhadora, amiga e hospitaleira, cuja fala, por vezes rude, vem acompanhada por um sorriso franco e uma vontade incontidade de auxiliar, sempre e mais. Sou do Porto e canto o fado! No Porto também se canta o fado. E bem! Canto-o á minha maneira! Com a alma, com a mistura de sentimento que o fado é! Amor... sempre o amor. Canto o amor com ternura, com carinho, com tristeza, com raiva, com o sentimento que o poeta colocou nas palavras, que entra na alma de cada um de nós acompanhado pelas cordas inimitaveis da guitarra portuguesa e da sua amiga inseparáve,l a viola classica. Canto males e bens da sociedade onde vivemos. Não pretendo chorar no ombro de ninguém, mas pedir, cantando, 2 ou 3 minutos de atenção, para o que nos rodeia, para uma tristeza ou alegria, para o simples cantar de um pássaro ou o desabrochar de uma flor. Sou assim... canto assim... Sou profissional de fado. Tenho orgulho em dizê-lo! Gosto do que faço e, se por acaso me esqueço, o público recorda-mo, através dos aplausos com que me recebe e com que aprova os temas que canto e a maneira de o fazer. Sou Fernanda Moreira. Tenho percorrido muitas cidades do nosso pais e levei, não tantas vezes quantas as que pretendo, por enquanto, o fado a alguns outros pontos do globo. Espanha, Alemanha e Rússia (que saudade...). Dois trabalhos gravados em CD estão espalhados por Holanda, Japão, China, Brasil, Noruega, Inglaterra, America, Canadá, Mexico, França... A disposição geografica não está correcta, mas coloquei os países conforme me fui lembrando... Moro em Vila Nova de Gaia. Quero cantar cada vez mais, porque tenho a certeza do que valho e tenho também a consciencia de que o fado está presente no coração de todas as pessoas, portuguesas ou não. É gratificante ouvir estrangeiros que me dizem não entenderem as palavras que canto, mas se emocionarem com o sentimento que consigo transmitir-lhes. É muito bom quando isso acontece porque penso que o sentimento não tem idioma... apenas se sente!
La fadista estarà acompanyada a la guitarra per António Marramaque, i a la viola de fado per António Reis.
Publiquem aqui aquest vídeo de l'amic Paulo Guerra -que crec que és el primer que fa- amb imatges antigues de Lisboa i amb un fado de Camané "A minha rua" del seu CD "A linha da vida", tot esperant que no sigui el darrer.
La "rua" que ens agradava i que recordem, ja no és la mateixa... les coses canvien segons els temps...
A minha rua *Camané*
Manuela de Freitas / Armandinho *fado alexandrino antigo* Repertório de Camané Mudou muito a minha rua, quando o outono chegou Deixou de se ver a lua, todo o transito parou Muitas portas estão fechadas, já ninguém entra por elas Não há roupas penduradas, nem há cravos nas janelas Não há marujos na esquina, de manhã não há mercado Nunca mais vi a varina, a namorar com o soldado O padeiro foi-se embora, foi-se embora o professor Na rua só passa agora, o abade e o doutor O homem do realejo, nunca mais por lá passou O Tejo já não o vejo, um grande prédio o tapou O relógio da estação, marca as horas em atraso E o menino do pião, anda a brincar ao acaso A livraria fechou, a tasca tem outro dono A minha rua mudou, quando chegou o outono Há quem diga "ainda bem", está muito mais sossegada Não se vê quase ninguém, e não se ouve quase nada Eu vou-lhes dando razão / Que lhes faça bom proveito E só espero p'lo verão / P'ra pôr a rua a meu jeito.
Outro clássico do fado, este poema vem do mundo do rock, da mão do genial Rui Veloso. Umas pinceladas só para nós recordarmos quem é este "rocker" que pôs língua portuguesa a este fenómeno que é o rock.
Veloso nasceu em Lisboa, mas foi para o Porto antes de completar um ano. Autodidacta com a viola, forma un grupo e aos 19 anos grava uma maqueta que sua mãe -sempre as mães- leva para a editora Valentim de Carvalho, que, depois de ouvi-lo, contrata-o logo.
O êxito vem imediatamente e faz com que em Portugal apareçam uma grande quantidade de bandas de rock -como aconteceu também na Catalunha com a aparição de grupos como Sau, ou Sopa de cabra- e é por isso que Rui é conhecido como o pai do rock português. Embora não fosse o primeiro a cantar rock em Portugal foi ele quem conseguiu um maior impacto junto da juventude.
O tema que dá título a este artigo situa-se entre o rock lento e a balada, com um leve toque de fado. Dá para ser cantado em estilos diversos, e tem a graça infinita, na minha opinião, de ser um tema que só podia ser criado por um português, por alguém que leva o fado muito lá dentro.
É balada, sim, mas esse toque "afadistado" fez com que os fadistas também a cantassem. Nuno da Câmara Pereira, José Manuel Barreto e até a fadista portuense Sandra Correia, cantam este fado, cada um no seu próprio estilo, mostrando a quem quiser vê-lo aquilo do que o fado é capaz. Ou talvez o que está a mostrar é que o fado está presente na alma dos músicos portugueses mesmo sem eles se aperceberem.
A letra de este fado descreve-nos a paixão, aquilo de que somos capaces de fazer por amor, se calha até roubar, para que a pessoa amada esteja linda. Dizemos às gentes: "Olhem como ela é linda, é a minha namorada!"
Fado Do Ladrão Enamorado
Vê se pões a gargantilha
Porque amanhã é domingo
E eu quero que o povo note
A maneira como brilha
No bico do teu decote
E se alguém perguntar
Dizes que eu a comprei
Ninguém precisa saber
Que foi por ti que a roubei
E se alguém desconfiar
Porque não tenho um tostão
Dizes que é uma vulgar
Joia de imitação
Nunca fui grande ladrão
Nunca dei golpe perfeito
Acho que foi a paixão
Que me aguçou o jeito
Por isso põe a gargantilha
Porque amanhã é domingo
E eu quero que o povo note
A maneira como brilha
No bico do teu decote