dilluns, 7 de novembre de 2011

Fernanda Moreira a Barcelona

La fadista Fernanda Moreira cantarà a Barcelona. Serà al restaurant Lisboa del carrer de Comte Borrell, 145, per l'empenta i el coratge dels propietaris d'aquest racó portuguès de la nostra ciutat.
Fernanda Moreira no és "alfacinha", diríem que és "tripeira" o sigui que és nascuda a Porto tal com ens diu en aquest apunt biogràfic de la seva pàgina oficial...

Sou como sou...

O fado...
Cresci ouvindo-o, cantando-o, sentindo-o.
Não nasci na Mouraria, nem em Alfama, nem em qualquer outro bairro típico de Lisboa.
Sou natural do Porto, esta linda cidade atravessada pelo belo rio Douro, de gente trabalhadora, amiga e hospitaleira, cuja fala, por vezes rude, vem acompanhada por um sorriso franco e uma vontade incontidade de auxiliar, sempre e mais.
Sou do Porto e canto o fado! No Porto também se canta o fado. E bem!
Canto-o á minha maneira! Com a alma, com a mistura de sentimento que o fado é!
Amor... sempre o amor. Canto o amor com ternura, com carinho, com tristeza, com raiva, com o sentimento que o poeta colocou nas palavras, que entra na alma de cada um de nós acompanhado pelas cordas inimitaveis da guitarra portuguesa e da sua amiga inseparáve,l a viola classica.
Canto males e bens da sociedade onde vivemos. Não pretendo chorar no ombro de ninguém, mas pedir, cantando, 2 ou 3 minutos de atenção, para o que nos rodeia, para uma tristeza ou alegria, para o simples cantar de um pássaro ou o desabrochar de uma flor.
Sou assim... canto assim...
Sou profissional de fado. Tenho orgulho em dizê-lo! Gosto do que faço e, se por acaso me esqueço, o público recorda-mo, através dos aplausos com que me recebe e com que aprova os temas que canto e a maneira de o fazer.
Sou Fernanda Moreira.
Tenho percorrido muitas cidades do nosso pais e levei, não tantas vezes quantas as que pretendo, por enquanto, o fado a alguns outros pontos do globo. Espanha, Alemanha e Rússia (que saudade...).
Dois trabalhos gravados em CD estão espalhados por Holanda, Japão, China, Brasil, Noruega, Inglaterra, America, Canadá, Mexico, França... A disposição geografica não está correcta, mas coloquei os países conforme me fui lembrando...
Moro em Vila Nova de Gaia.
Quero cantar cada vez mais, porque tenho a certeza do que valho e tenho também a consciencia de que o fado está presente no coração de todas as pessoas, portuguesas ou não.
É gratificante ouvir estrangeiros que me dizem não entenderem as palavras que canto, mas se emocionarem com o sentimento que consigo transmitir-lhes. É muito bom quando isso acontece porque penso que o sentimento não tem idioma... apenas se sente!



La fadista estarà acompanyada a la guitarra per António Marramaque, i a la viola de fado per António Reis.

divendres, 4 de novembre de 2011

A minha rua

Publiquem aqui aquest vídeo de l'amic Paulo Guerra -que crec que és el primer que fa- amb imatges antigues de Lisboa i amb un fado de Camané "A minha rua" del seu CD "A linha da vida", tot esperant que no sigui el darrer.


La "rua" que ens agradava i que recordem, ja no és la mateixa...   les coses canvien segons els temps...




A minha rua *Camané*

Manuela de Freitas / Armandinho *fado alexandrino antigo*
Repertório de Camané
Mudou muito a minha rua, quando o outono chegou
Deixou de se ver a lua, todo o transito parou
Muitas portas estão fechadas, já ninguém entra por elas
Não há roupas penduradas, nem há cravos nas janelas

Não há marujos na esquina, de manhã não há mercado
Nunca mais vi a varina, a namorar com o soldado
O padeiro foi-se embora, foi-se embora o professor
Na rua só passa agora, o abade e o doutor

O homem do realejo, nunca mais por lá passou
O Tejo já não o vejo, um grande prédio o tapou
O relógio da estação, marca as horas em atraso
E o menino do pião, anda a brincar ao acaso

A livraria fechou, a tasca tem outro dono
A minha rua mudou, quando chegou o outono
Há quem diga "ainda bem", está muito mais sossegada
Não se vê quase ninguém, e não se ouve quase nada

Eu vou-lhes dando razão / Que lhes faça bom proveito
E só espero p'lo verão / P'ra pôr a rua a meu jeito.


letra tirada do blog fadosdofado

dijous, 27 d’octubre de 2011

Fado do ladrão enamorado

Rui Veloso
Outro clássico do fado, este poema vem do mundo do rock, da mão do genial Rui Veloso. Umas pinceladas só para nós recordarmos quem é este "rocker" que pôs língua portuguesa a este fenómeno que é o rock.
Veloso nasceu em Lisboa, mas foi para o Porto antes de completar um ano. Autodidacta com a viola, forma un grupo e aos 19 anos grava uma maqueta que sua mãe -sempre as mães- leva para a editora Valentim de Carvalho, que, depois de ouvi-lo, contrata-o logo.
O êxito vem imediatamente e faz com que em Portugal apareçam uma grande quantidade de bandas de rock -como aconteceu também na Catalunha com a aparição de grupos como Sau, ou Sopa de cabra- e é por isso que Rui é conhecido como o pai do rock português. Embora não fosse o primeiro a cantar rock em Portugal foi ele quem conseguiu um maior impacto junto da juventude.
O tema que dá título a este artigo situa-se entre o rock lento e a balada, com um leve toque de fado. Dá para ser cantado em estilos diversos, e tem a graça infinita, na minha opinião, de ser um tema que só podia ser criado por um português, por alguém que leva o fado muito lá dentro.
É balada, sim, mas esse toque "afadistado" fez com que os fadistas também a cantassem. Nuno da Câmara Pereira, José Manuel Barreto e até a fadista portuense Sandra Correia, cantam este fado, cada um no seu próprio estilo, mostrando a quem quiser vê-lo aquilo do que o fado é capaz. Ou talvez o que está a mostrar é que o fado está presente na alma dos músicos portugueses mesmo sem eles se aperceberem.
A letra de este fado descreve-nos a paixão, aquilo de que somos capaces de fazer por amor, se calha até roubar, para que a pessoa amada esteja linda. Dizemos às gentes: "Olhem como ela é linda, é a minha namorada!"

 

Fado Do Ladrão Enamorado

Vê se pões a gargantilha
Porque amanhã é domingo
E eu quero que o povo note
A maneira como brilha
No bico do teu decote
E se alguém perguntar
Dizes que eu a comprei
Ninguém precisa saber
Que foi por ti que a roubei
E se alguém desconfiar
Porque não tenho um tostão
Dizes que é uma vulgar
Joia de imitação
Nunca fui grande ladrão
Nunca dei golpe perfeito
Acho que foi a paixão
Que me aguçou o jeito
Por isso põe a gargantilha
Porque amanhã é domingo
E eu quero que o povo note
A maneira como brilha
No bico do teu decote

Rui Veloso e sua banda...



Cá o Rui num acústico




José Manuel Barreto, fadista.


Gabriel Carlos, fadista.



Nuno da Câmara Pereira, fadista.


Sandra Correia, fadista.

diumenge, 23 d’octubre de 2011

Notícies

Mirava per la tele les notícies de aquestes darreres hores, concretament l'anunci de la fi d'ETA, aquest grup armat que des de fa més de quaranta anys, ha lluitat amb les armes per la independència del País Basc.
Mai ha estat la força el millor camí per aconseguir una fita. La violència generada és tan gran que complica encara més les coses. El diàleg és, i será sempre, l'única arma que les persones hem d'usar. I això val per totes les parts que puguin estar enfrontades en qualsevol conflicte, sigui del signe que sigui. Diàleg és el que es demanava fa uns anys quan moria assassinat l'Ernest Lluch. Ho demanava una periodista, encara amb el cos calent de l'Ernest -batallador per la pau a Euskadi- i en aquell moment, quan s'havia de tenir el coratge i la força per captenir-se, el sector de sempre posava més llenya a aquest foc del conflicte. Es vol, des de aquest sector de la dreta més militant, arcaica i potser sense adonar-se'n situada a les rodalies del feixisme més pur, posar traves a que la solució del conflicte basc passi pel diàleg: volent la "derrota" de l'anomenada "banda terrorista" sense condicions de cap mena. I aquests, són els dos possibles camins a seguir ara, la victòria sense paliatius o el diàleg per sortir del atzucac on es troba la societat basca.
Parlar i cedir una mica totes les parts és el que farà possible la veritable pau.

Les imatges de l'assassnat del president libi Muammar al-Gaddafi, passades a bastament per totes les televisions, acosten l'horror a tots nosaltres, com fa poc ho va fer l'assassinat del Bin Laden, per part d'un govern "democràtic" d'aquells que en diuen "Estat de dret".
Definitivament ens han acostumat a l'horror, al "tot s'hi val" a la manca d'ètica. Els estats forts com -en el cas del tema libi-  França, ha estat en aquest afer, soldat, jutge i botxí  d'en Gaddafi. Convenia potser fer-ho així, no sé pas per quins obscurs motius, encara que molt amb temo que el rerafons sigui el gas que hi ha al subsol de Libia.

En definitiva tenim un home capturat i després assassinat... I sembla que a ningú li importa res que en ple segle XXI això pugui succeir una vegada i un altra. I a més amb governs "democràtics" al darrera.
Com en el cas de Bagdag, Sirte la ciutat destruïda per milers de bombardejos de l'OTAN, ara, ha de ser reconstruïda. El pastís esta llest per ser repartit...
Serà veritat que són "Els Mercats" qui manen?

Avui no posem cap Fado. Não tenho vontade!

dimecres, 19 d’octubre de 2011

Com tradição

 Entre as pérolas que me enviou, desde Martin nos EUA, o meu amigo Antón, este CD do Carlos Zel "Com Tradição" gravado no ano 2000, julgo ser este CD o último da sua carreira como fadista. 
Carlos Zel, a quem já temos ouvido neste blog, canta-nos aqui um poema da poetisa Maria Manuel Cid com música do fado tradicional Pedro Rodrigues em quartas.
A saudade, recurrente no universo fadista, volta neste poema a nos descrever aquela sensação de pertencer a um lugar do qual, ao nos afastarmos, surge em nós o desejo de voltar  e aparece o fadista que todos temos dentro.

Há quem diga que a saudade e o fado não vão de mãos dadas?


Quando o peito tem saudade 

Maria Manuel Cid / Pedro Rodrigues

Se um dia partires a amarra
Que te liga à terra mãe
Quando ouvires uma guitarra
Serás fadista também

Se as doze cordas trinando
Soluçam rezas e preces
Terás de cantar chorando
Um fado que não conheces

Não cantas com dor sentida
Ninguém nasce já fadado
O fado da nossa vida
É que nos dá outro fado

E se tirasses do peito
As fibras que a dor desgarra
Decerto que tinhas feito
Com elas uma guitarra

Não podes sofrer a sós
Tens de crer nesta verdade
Há sempre um fado na voz
Quando o peito tem saudade

diumenge, 16 d’octubre de 2011

Não há fado sem verdade

És cert, per cantar Fado estic convençut que s'ha de sentir allò que es canta i això es fa possible quan s'enten el dolor, la pena, el desig i també la joia o l'alegria, quan s'ha viscut prou per sentir o entendre tot això.

En aquesta lletra de la poetessa Maria Manuel Cid cantada amb música popular de Fado Menor, tot es fa entenedor

No hi ha fado sense veritat
ni veritat penedida
ni cantador sense la vanitat
de cantar la pròpia vida.


Del canal de Youtube TonyMoreiraPortugal



Não há fado sem verdade

Maria Manuel Cid / Popular *fado menor*
Repertório de António Mourão


Minha voz embora triste
Cumpre um destino de amor
O direito que lhe assiste
De gritar a própria dôr

Nenhuma ilusão que tive / Me tornou um prisioneiro
Mesmo preso era mais livre / Que a alma do carcereiro

Não se pode abrir o peito / E matar o sentimento
Não há força com direito / De calar o pensamento

Não há fado sem verdade / Nem verdade arrependida
Nem cantador sem vaidade / De cantar a própria vida.


Letra tirada do blog fadosdofado